Saturday, January 3, 2009

Os meus botões


A crise
Muito tem dado que falar a recente crise financeira e económica. Nessas doutas discussões, que são bastas vezes um falatório cheio de floreados sem alicerce firme onde assente o entendimento do povo, tem-se esquecido outro género de crise: a crise de valores. Só quem não quer é que não vê a podridão espiritual que tomou conta das mentalidades, na nossa sociedade, e a falta de alguns esteios morais importantíssimos que a sustentavam. É aqui, neste ponto que tantos procuram ignorar, que está a razão principal da situação que vivemos.
O paganismo impera, apesar dos muitos avisos. Os jovens procuram dinheiro, não trabalho. O vício é louvado, a seriedade nem sabem o que é. Preocupam-se com a fama e não com o bom-nome. O que importa é a diversão e o prazer do corpo, não ter mente e corpo sãos e puros, e o pior é que somos nós, todos nós, que plantamos esses falsos valores no seu coração. A inclinação para o paganismo é muito antiga, e traz sempre maus resultados. Até os trajes com que aparece não são muito diferentes através dos tempos: adoração de falsos deuses, devassidão revestida de muitas formas, como música e danças intoxicantes, o endeusamento do vil metal, etc.
Precisamos de nos libertar desta escravidão que é a ganância. Já pusemos de parte muitas ideologias malignas e de raiz pagã e ateia, como o nazismo e o comunismo. Quando o homem deixar de ter a alma presa ao materialismo, que tem sido rei e senhor neste mundo e é outra forma de paganismo, e se elevar nos valores da compaixão, da solidariedade e da paz, não faltarão soluções para acabar com esta crise.


Concertinas das Carvalhas na Televisão

Decorreu no dia 14 de Dezembro um encontro de tocadores de concertina, que atraiu à pequena aldeia das Carvalhas, freguesia de Romaride, cerca de 50 tocadores, entre os quais se encontravam alguns vindos do estrangeiro. As actuações decorreram tanto no palco montado para o efeito como pelas ruas e recantos da povoação.
A festa decorreu com grande animação desde manhã até à noite, havendo oportunidade de conviver e saborear petiscos regionais, postos à disposição de todos pelos organizadores. O Grupo de Concertinas da Barrenta participou também num programa televisivo da manhã, em directo, na sexta-feira anterior, a convite do canal da TVI.
Estão de parabéns as Carvalhas e toda a região pela realização de mais um evento de grande importância e projecção para a nossa cultura.

(Publicado na edição de 19 de Dezembro de 2008 do Jornal do Vale Interior)

4 comments:

Donnola said...

concordo com quase tudo excepto com "paganismo"


fonte priberam definição de paganismo


do Lat. paganu, pagão


s. m.,
designação dada pelos cristãos à antiga religião politeísta dos Gregos e dos Romanos;

religião dos pagãos;

os pagãos;

politeísmo;

idolatria.

se não estou enganada os indianos, por exemplo, são politeístas, logo pagãos, será que eles não têm moral?

Woody said...

Não concordo nada com esse conceito de crise de valores. Aliás, até defendo o contrário. Acho que a abertura da sociedade actual e o rompimento de dogmas é que nos vão ajudar a sair desta crise: o direito de todos à educação, a consciência de que temos que lutar contra interesses instalados e corruptos que travam o nosso desenvolvimento, a multiplicação de meios de nos comunicarmos e de expormos aquilo que pensamos... Acho que tudo isso nos vai ajudar a sair da crise, a sermos mais tolerantes, a sermos mais ecuménicos e a aceitar que, hoje em dia, a Igreja já não pode ter a responsabilidade de ser o pilar moral da sociedade como o tem sido. Tendo em conta a realidade, a moralidade tem que ser intrínseca, tem que vir de dentro, temos que praticar o bem não (ou não só) porque tememos Deus, mas porque sentimos, por dentro, que só assim faz sentido. A religião, por muito que faça, nunca pode ter o exclusivo desta responsabilidade, só quando as pessoas praticarem o bem só porque sim, é que a nossa sociedade vai ser uma sociedade moral. Só assim vamos sair da crise.

info-excluído@pessoa said...

O que o 'sr. Cabaça' (peço que não levem mal de se tratar de uma espécie de 'personagem') defende corresponde, mais coisa menos coisa, à percepção que muito boa gente tem da sociedade, dos seus problemas e crises (digo eu).
Pessoalmente pouco ou nada me identifico com os seus pontos de vista, mas gosto de tentar perceber, e, de certa forma, de 'assistir' à exposição de ideias que têm uma lógica muito determinada por preconceitos e conveniências, ou em que isso se nota mais. Pode haver nisto alguma malícia, mas há também um gosto genuíno em conviver com todo o tipo de ideias. No fundo, acredito mesmo que todas devem ser respeitadas.

Já agora, Donnoloa, o paganismo tanto significa o que dizes como uma tendência para o adoração de certas 'forças' mundanas, materialistas, e para a satisfação dos instintos (no fundo os deuses - do amor, da guerra, do vinho, de várias 'forças da natureza', etc. - já são isso), como a acumulação e o endeusamento da riqueza, procura do prazer... penso que é mais ou menos isto.

Woody, concordo plenamente, explicas muito bem uma data de pontos. Se leres isto talvez não concordes com o que vou dizer, ou talvez não aches piada 'à brincadeira' (e às vezes penso que não é sério inventar opiniões que depois alguém comenta de boa fé - mais uma vez peço desculpa), mas no fundo o texto do sr. Cabaça queria também dizer (por reacção de quem lê) aquilo que dizes no comentário. De outra maneira.

Woody said...

A opinião do Sr. Cabaça é comum a muita gente... Apesar de desconfiar não consegui perceber se este era ou não uma personagem...

Se é o caso, está um retrato espectacular da nossa sociedade e perfeitamente comentável na mesma... Jamais levaria a mal algo do género!